QUANDO DEVO PROCURAR UM PSIQUIATRA?
SINAIS QUE NÃO DEVEM SER IGNORADOS

Quando devo procurar um psiquiatra? Sinais que não devem ser ignorados
Você já se perguntou se aquilo que está sentindo é “normal” ou se já passou da hora de buscar ajuda especializada?
Então deixa eu esclarecer quando realmente é importante procurar um psiquiatra e quais sinais do nosso corpo e da nossa mente não devemos jamais ignorar.
O psiquiatra é o médico especializado em diagnosticar e tratar transtornos mentais, aqueles que afetam nossos pensamentos, emoções e comportamentos de maneira significativa. Diferente do que muitos pensam, procurar um psiquiatra não é apenas para casos extremos ou quando a situação já está insustentável.
Sinais emocionais que pedem atenção
Existem diversos sinais emocionais que podem indicar a necessidade de uma consulta psiquiátrica. Não são apenas “fases ruins” quando persistem por semanas ou meses:
A tristeza profunda que não melhora com o tempo, a sensação constante de vazio, a perda de prazer em atividades que antes traziam alegria, ou até mesmo a irritabilidade excessiva – tudo isso pode ser indício de um quadro depressivo que precisa de tratamento adequado.
A ansiedade que ultrapassa a preocupação normal do dia a dia, que faz seu coração disparar sem motivo aparente, que traz pensamentos catastróficos recorrentes ou que provoca ataques de pânico – estes são sinais de que seus mecanismos internos de regulação emocional podem estar sobrecarregados.
Por isso o melhor que você pode fazer é não minimizar esses sintomas. Seu sofrimento é real e merece atenção especializada.
Alterações no comportamento e no funcionamento diário
Quando nosso funcionamento diário começa a ser afetado, isso é um sinal claro que não devemos ignorar:
Dificuldades persistentes para dormir ou alterações significativas no sono, seja insônia ou excesso de sono, podem indicar desequilíbrios que precisam ser avaliados.
Mudanças importantes no apetite ou no peso sem razão aparente, seja perda ou ganho, devem ser investigadas não apenas do ponto de vista clínico, mas também psiquiátrico.
Afastamento social, isolamento, dificuldade para trabalhar ou estudar como antes, queda no desempenho profissional ou acadêmico – todos esses são sinais de que algo não está bem com sua saúde mental e que uma consulta com um psiquiatra pode ser necessária.
Pensamentos de morte ou ideias suicidas, mesmo que pareçam passageiros, são sinais de alerta máximo e exigem avaliação imediata.
Quando os comportamentos fogem ao controle
É importante chamar a atenção também para comportamentos que começam a parecer fora do nosso controle:
Compulsões alimentares, uso crescente de álcool ou outras substâncias como forma de “aliviar” mal-estares emocionais, comportamentos de risco que você não faria normalmente, gastos excessivos em períodos de euforia… Estes podem ser sintomas de transtornos que respondem bem ao tratamento quando diagnosticados corretamente.
Rituais e comportamentos repetitivos que você se sente obrigado a fazer, pensamentos intrusivos que não consegue controlar ou medos intensos de situações específicas são sinais de transtornos ansiosos como TOC ou fobias, para os quais existem tratamentos eficazes.
O mito do “não é tão grave assim”
Muitas pessoas adiam a busca por ajuda psiquiátrica porque acreditam que seu sofrimento “não é tão grave assim”, que “outras pessoas têm problemas piores” ou que “vai passar com o tempo”.
Sabemos hoje em dia que quanto mais cedo um transtorno mental é tratado, melhores são as chances de recuperação completa e menor o impacto na vida da pessoa.
Não existe sofrimento psíquico de “segunda categoria” ou que não mereça atenção. Se está causando prejuízo em sua qualidade de vida, merece ser avaliado.
Sinais físicos que podem ter origem psiquiátrica
É comum que transtornos mentais se manifestem também através de sintomas físicos, o que chamamos de sintomas psicossomáticos:
Dores de cabeça frequentes, dores musculares sem causa aparente, problemas digestivos recorrentes, tonturas, falta de ar, sensação de aperto no peito – todos esses sintomas podem estar relacionados a quadros de ansiedade ou depressão.
Claro que esses sintomas devem ser investigados primeiro do ponto de vista clínico para descartar causas orgânicas, mas quando os exames não apontam alterações físicas, a origem psiquiátrica deve ser considerada.
A importância da avaliação profissional
A autoavaliação é sempre limitada quando se trata de saúde mental. O psiquiatra possui o treinamento necessário para diferenciar:
- Tristeza normal de um quadro depressivo
- Preocupação adaptativa de um transtorno de ansiedade
- Alterações normais de humor de um transtorno bipolar
- Desatenção ocasional de um TDAH
- Excentricidades de personalidade de transtornos mais graves
Por isso, mesmo que você não tenha certeza se o que está sentindo “merece” uma consulta psiquiátrica, se houver dúvida, o melhor é buscar essa avaliação.
A Organização Mundial de Saúde estima que cerca de 30% da população mundial sofrerá com algum transtorno mental ao longo da vida. Isso mostra que essas condições são muito mais comuns do que imaginamos e não devem ser fonte de vergonha ou hesitação na busca por ajuda.
Quando a medicação pode fazer diferença
Parte importante do trabalho do psiquiatra é avaliar a necessidade de tratamento medicamentoso. Existem situações em que a medicação faz uma diferença significativa na qualidade de vida:
Em quadros moderados a graves de depressão, onde o sofrimento é intenso e as funções básicas estão comprometidas.
Em transtornos de ansiedade que causam limitações importantes, ataques de pânico ou medos incapacitantes.
Em quadros como o transtorno bipolar, onde a regulação do humor pode ser profundamente beneficiada pelo uso adequado de medicações.
Em casos de TDAH, onde a medicação pode trazer melhora significativa na capacidade de concentração e na qualidade de vida.
Em transtornos psicóticos, onde a medicação é fundamental para o controle dos sintomas e para permitir outros tipos de intervenções terapêuticas.
Por favor, não interrompa a medicação de forma repentina sem a orientação do seu psiquiatra, mesmo que já esteja se sentindo muito bem. Muitos transtornos psiquiátricos são crônicos e requerem tratamento continuado, com retirada gradual e monitorada da medicação quando apropriado.
A parceria com outros profissionais
O tratamento em saúde mental frequentemente beneficia-se de uma abordagem multidisciplinar. O psiquiatra pode trabalhar em conjunto com:
- Psicólogos, para psicoterapia complementar ao tratamento medicamentoso
- Neurologistas, em casos que envolvem condições neurológicas
- Endocrinologistas, quando há comorbidades metabólicas ou hormonais
- Outros especialistas, dependendo das necessidades específicas de cada caso
Esta integração garante um cuidado mais completo e personalizado para cada paciente.
Por fim…
Se você identificou um ou mais dos sinais mencionados, considere buscar uma avaliação psiquiátrica. Lembre-se que cuidar da saúde mental é tão importante quanto cuidar da saúde física, e que buscar ajuda é um sinal de força e autocuidado, não de fraqueza.
Por fim, gostaria de pedir a sua ajuda compartilhando essas informações com pessoas próximas que possam estar passando por dificuldades emocionais. Muitas vezes, uma orientação no momento certo pode fazer toda a diferença na vida de alguém.
Se você tiver alguma dúvida sobre este tema, deixe nos comentários abaixo.
Obrigada pela atenção,
Dra. Lara Sampaio